Arte Marcial e Militarismo: os Ghurkas



Foto: Balbhadra Kunwar, comandante Ghurka na Guerra Anglo-Nepalesa (1814–1816).

Conheça a história dos habilidosos nativos que foram recrutados pela Coroa Britânica.

Os Ghurkas ou Ghorkas são nativos de uma das regiões mais inóspitas do mundo (Nepal e Himalaia) e sempre estiveram envoltos em guerras. Habitam região considerada sagrada, onde boa parte dos estudiosos considera ter sido o berço e/ou local de passagem de diversas Artes Marciais cultuadas no oriente há mais de mil anos. 

Seu principal confronto com o exército britânico ocorreu na Guerra Gorkha (1814-1816). Terminou com a assinatura do Tratado de Sugauli em 1816, que cedeu cerca de um terço do território do Nepal. A Força Britânica era composta por 22.000 homens, com sessenta armas (primeira campanha) e 17.000 (segunda campanha). Já os Ghurkas contavam com menos de 12.000 guerreiros.

Impressionados com a tenacidade, resistência e valentia, logo após a guerra, os ingleses encorajaram-nos a oferecer-se para a Companhia das Índias Orientais, sob domínio da Inglaterra. Já são quase 200 anos a serviço da Coroa Britânica, tendo participado das duas Guerras Mundiais. Até hoje são respeitados e temidos por todo mundo. 

Um detalhe pitoresco no auge da Segunda Guerra Mundial. Um oficial britânico recebeu a missão de conseguir voluntários entre os Ghurkas para as tropas aerotransportadas. Logo, na sua apresentação, ele pediu por voluntários para saltar de aviões e todos se apresentaram. O sargento nativo perguntou quantos metros deveriam saltar e o oficial inglês respondeu que seria por volta de 2.000 metros. Todos os voluntários recuaram apavorados. Após pequena reunião com os soldados, o sargento Ghurka avisou ao oficial que eles aceitavam saltar do avião, mas se fosse até 200 metros. Pensativo, o oficial retrucou avisando que essa altura não seria suficiente para abrir o pára-quedas. Nesse instante, o sargento respirou aliviado e afirmou: “aaahhh, então vocês vão nos dar pára-quedas...”.



Foto: Gurkas na Selva da Malasia, Outubro de 1941.


Texto e Pesquisa Histórica: Leandro Paiva

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